‘Sentimento de alívio’, diz pai de menino morto por escorpião após polícia apontar erro médico

Além de indiciamento por homicídio culposo, delegado pediu afastamento do médico Augusto Fortunato de Godoi. Defesa do profissional declarou ter “plena certeza da inocência”.

O pai de Bernardo de Lima Mendes, de 3 anos, afirmou sentir alívio após a Polícia Civil de Conchal concluir o inquérito e indiciar o médico que atendeu a criança por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Segundo o delegado Luís Henrique Lima Pereira, a investigação apontou negligência médica.

Bernardo morreu em março deste ano após ser picado por um escorpião. De acordo com a investigação, a criança deveria ter sido transferida imediatamente para um hospital de referência com soro antiescorpiônico, em Araras, mas permaneceu em observação em Conchal.

O quadro se agravou, e Bernardo sofreu uma parada cardiorrespiratória e choque cardiogênico. A transferência ocorreu mais de quatro horas após a picada, quando o estado clínico já era considerado irreversível. A criança morreu no dia seguinte.

Além do indiciamento, a Polícia Civil solicitou à Justiça o afastamento cautelar do médico Augusto Fortunato de Godoi. O pedido será analisado pelo Ministério Público, que também avaliará o inquérito e as próximas medidas do caso.

Segundo o delegado, protocolos nacionais e estaduais determinam que crianças menores de 10 anos vítimas de picada de escorpião sejam estabilizadas e encaminhadas imediatamente a uma unidade de referência com soro antiescorpiônico.

A defesa do médico declarou ter plena certeza de sua inocência. O inquérito, com 16 páginas, foi encaminhado ao Ministério Público para análise.

O que dizem os envolvidos

Em nota, a defesa afirmou que recebeu a notícia do encerramento do inquérito com surpresa pela imprensa e declarou a “tranquilidade” de seu cliente, alegando que ele possui “plena certeza de sua inocência”.

A Santa Casa de Conchal informou que o médico acionou o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ceatox) quatro vezes durante o atendimento e que solicitou a transferência assim que houve o agravamento do quadro. A unidade pontuou ainda que não tem autorização para manter o estoque do soro no local.