Prefeitura orienta população lemense sobre evolução do diagnóstico do autismo

O diagnóstico do TEA é essencialmente clínico, ou seja, realizado a partir da avaliação do comportamento, do histórico do desenvolvimento e da observação especializada.

A Prefeitura de Leme (SP), por meio da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social de Leme e do Centro de Atendimento da Pessoa com Autismo de Leme, segue promovendo uma série de conteúdos informativos voltados à conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Nesta edição, o objetivo é explicar como os critérios de diagnóstico evoluíram ao longo dos anos e o que significa, na prática, o conceito de “espectro”.

Da classificação fragmentada ao conceito de espectro

Durante décadas, diferentes termos foram utilizados para descrever o autismo. Em manuais diagnósticos antigos, como o DSM-IV e o CID-10, apareciam classificações como Transtorno Global do Desenvolvimento (TGD), Transtorno Invasivo do Desenvolvimento (TID) e Síndrome de Asperger.

Essas denominações representavam tentativas de organizar quadros clínicos com características semelhantes, mas que eram classificados separadamente.

Com a publicação do DSM-5, em 2013, houve uma mudança importante: as categorias passaram a ser reunidas em um único diagnóstico, o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). A proposta foi reconhecer que essas condições representam diferentes manifestações dentro de um mesmo espectro de desenvolvimento.

A exceção foi a Síndrome de Rett, que passou a ser considerada uma condição genética específica.

Diagnóstico é clínico e individualizado

O diagnóstico do TEA é essencialmente clínico, ou seja, realizado a partir da avaliação do comportamento, do histórico do desenvolvimento e da observação especializada.

Os profissionais utilizam critérios estabelecidos por manuais internacionais como o DSM-5 e a Classificação Internacional de Doenças, publicada pela Organização Mundial da Saúde.

Não existe exame laboratorial ou de imagem capaz de confirmar o diagnóstico de forma isolada. A identificação depende de avaliação cuidadosa realizada por profissionais qualificados, considerando o impacto das características observadas na vida da pessoa.

Mudanças nos critérios diagnósticos

Antes da reformulação do DSM-5, o diagnóstico se baseava em três áreas principais:

  • Desafios de linguagem

  • Déficits sociais

  • Comportamentos repetitivos

Com a atualização, os critérios passaram a ser organizados em duas dimensões principais:

  • Comunicação e interação social

  • Padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades

A reorganização buscou tornar o diagnóstico mais consistente e alinhado às evidências científicas acumuladas nas últimas décadas.

Níveis de suporte

Outra mudança importante foi a criação dos níveis de suporte, que indicam o grau de apoio necessário para cada pessoa em determinado momento da vida.

  • Nível 1 – Requer suporte: dificuldades perceptíveis na comunicação social e na flexibilidade comportamental.

  • Nível 2 – Requer suporte substancial: déficits mais evidentes na interação social e maior rigidez comportamental.

  • Nível 3 – Requer suporte muito substancial: comprometimentos significativos na comunicação verbal e não verbal, com necessidade de apoio intensivo.

Especialistas destacam que os níveis não definem o potencial da pessoa, mas ajudam a orientar estratégias educacionais, terapêuticas e sociais adequadas.

Sinais que podem estar presentes

Entre as características observadas no espectro estão:

  • Atraso ou ausência de fala

  • Dificuldade em iniciar ou manter conversação

  • Uso repetitivo da linguagem, como a ecolalia

  • Dificuldades de compreensão social

  • Contato visual reduzido ou atípico

  • Interesses restritos e intensos

  • Movimentos repetitivos

  • Resistência a mudanças de rotina

Também podem ocorrer particularidades sensoriais, como sensibilidade intensa a sons, luzes ou texturas.

Compreensão em evolução

Com a ampliação dos critérios diagnósticos e o avanço das pesquisas, as estimativas de prevalência do autismo também mudaram. Estudos internacionais apontam que cerca de 1 em cada 100 crianças pode estar dentro do espectro.

Especialistas ressaltam que esse aumento não significa necessariamente mais casos, mas sim maior capacidade de identificação e diagnóstico.

Hoje, o TEA é compreendido como uma condição do neurodesenvolvimento com bases biológicas e grande diversidade de manifestações, reforçando a importância da informação e da inclusão.

Mais informações podem ser obtidas na Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, na Rua Cel. João Franco Mourão, 308 – Centro, telefone (19) 3097-1068, ou no Centro de Atendimento da Pessoa com Autismo, localizado na Rua Luiz Da Roz, 825 – Centro, telefone (19) 3097-1053.