Segundo a investigação, houve falha no protocolo de atendimento, e a demora na transferência para uma unidade com soro teria comprometido a janela terapêutica e contribuído para o agravamento do quadro.
A Polícia Civil de Conchal (SP), concluiu, nesta segunda-feira (10), a investigação sobre a morte de Bernardo de Lima Mendes, de 3 anos, vítima de duas picadas de escorpião. O médico Augusto Fortunato de Godoi, responsável pelo primeiro atendimento no Hospital Madre Vannini, foi indiciado por homicídio culposo.
Bernardo foi atendido em 31 de março, mas o hospital não tinha soro antiescorpiônico. Após o agravamento do quadro, ele foi transferido para a Santa Casa de Araras, recebeu o antiveneno e foi internado na UTI, mas morreu na manhã seguinte.
Segundo a investigação, baseada em prontuários, depoimentos e laudos do IML, houve falha no cumprimento do protocolo, que determina a transferência imediata de crianças menores de 10 anos para unidades com soro disponível. O laudo apontou que a demora teria comprometido a janela terapêutica e contribuído para o agravamento do quadro.
O médico declarou que desconhecia o protocolo específico para crianças vítimas de escorpionismo. A Polícia Civil também pediu à Justiça seu afastamento temporário de plantões e serviços de urgência e emergência. O pedido ainda será analisado.
O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público, responsável pelas próximas etapas do caso. O indiciamento não representa condenação.



