Ação judicial pode fechar restaurantes em Cachoeira de Emas às vésperas da Semana Santa em Pirassununga, SP

Entre os alvos da decisão judicial estão os tradicionais restaurantes César, Cantinho do Peixe, Ki Peixe e Paladar do Peixe.

Uma ação movida pela Fazenda Pública do Estado de São Paulo, por meio da Procuradoria Geral do Estado (PGE-SP), pode resultar no fechamento imediato de importantes estabelecimentos comerciais no Distrito de Cachoeira de Emas, em Pirassununga (SP), entre esta segunda-feira (30) e terça-feira (31).

Entre os alvos da decisão judicial estão os tradicionais restaurantes César, Cantinho do Peixe, Ki Peixe e Paladar do Peixe. Também constam no processo a antiga Colônia de Pescadores, uma residência às margens da Rodovia SP-201 (Prefeito Euberto Nemézio Pereira de Godoy) e o antigo Restaurante Cachoeira, que já encerrou as atividades há cerca de um ano e meio por dívidas municipais.


Decisão judicial prevê desocupação imediata

De acordo com a decisão da 2ª Vara Judicial da Comarca de Pirassununga, a Justiça determinou a desocupação imediata dos imóveis, com autorização para uso de força policial, caso haja resistência.

A medida inclui ainda:

  • Nova lacração dos imóveis após a retirada dos ocupantes
  • Aplicação de multa diária mínima de R$ 500 em caso de descumprimento
  • Limite de até R$ 10 mil por ocupante

Segundo o processo, os estabelecimentos estariam funcionando de forma irregular após o rompimento de lacres judiciais realizados ainda em 2008, quando houve reintegração de posse das áreas públicas em favor do Estado.


Caso remonta a 2007

A situação atual revive um antigo impasse jurídico iniciado em 2007. Na época, a mesma Procuradoria promoveu uma ação que resultou no fechamento dos estabelecimentos em 2008.

A crise só foi revertida em 2009, após articulação do então prefeito Ademir Alves Lindo, que conseguiu a concessão das áreas ao município. Isso permitiu a realização de licitação e a reabertura dos comércios.

Em 2010, o local passou por revitalização, com a criação de um calçadão, instalação de quiosques e implantação do Centro Comercial “Eunice Alves Rosa”.


Impacto direto na Semana Santa

A possível interdição ocorre em um dos piores momentos para os comerciantes. A Semana Santa é considerada o período de maior movimento turístico em Cachoeira de Emas, tradicionalmente marcada pelo consumo de peixes.

Empresários já haviam investido na compra de estoques e na contratação de funcionários temporários. Caso a decisão seja cumprida, o prejuízo pode ser elevado, com risco de demissões e forte impacto na economia local.


Estrutura já enfrenta dificuldades

Mesmo antes da possível interdição, o distrito já apresenta sinais de enfraquecimento:

  • Quiosques: Dos 10 existentes, apenas 5 estão em funcionamento. Dois foram destruídos por incêndios e não foram reconstruídos, enquanto três seguem fechados por falta de licitação.
  • Centro Comercial “Eunice Alves Rosa”: Dos 119 boxes, apenas 48 estão ativos, em meio a relatos de abandono e falta de manutenção.

Moradores e comerciantes também criticam a atual gestão municipal, alegando falta de ações concretas para impulsionar o turismo e regularizar os espaços públicos.


Recursos sob questionamento

Informações de bastidores apontam que a Prefeitura de Pirassununga possui cerca de R$ 3 milhões em caixa, provenientes de aluguéis de espaços públicos do distrito.

Por lei, esses recursos deveriam ser reinvestidos em melhorias em Cachoeira de Emas e no Cerrado de Emas. No entanto, segundo críticas locais, os investimentos não estariam sendo realizados.


Expectativa por decisão da Prefeitura

Diante da gravidade da situação, a expectativa recai sobre a Prefeitura de Pirassununga, sob comando do prefeito Fernando Lubrechet (NOVO), que pode tentar reverter a decisão por meio de recurso ou liminar.

Caso não haja intervenção a tempo, o tradicional polo gastronômico de Cachoeira de Emas pode sofrer um novo e duro golpe, justamente no período mais importante para o turismo local.